Todo mundo sabe

•Abril 19, 2011 • Deixe um Comentário

pode perguntar pra qq um todo mundo vai te confirmar

 - hum pra quem eu posso perguntar?

 pra qualquer um

pro mojo

pro zorgo

pra bell

pra crom

pra ishtar

-hã?

 esse pessoal todo ja sabe 

 -quem são esses?

vc não conhece? ué? pensei que vc conhecesse

 ja que não conhece eu digo mais alguns

as parcas

as moiras

o barqueiro caronte

behemoth

ogopogo, o primo do nessie

sasquash

 hanuman, o deus macaco

 baldur

 e claro o gil que não podia ser deixado de fora desse panteão

o nado

 o nenem

 o suprasanto

 o homem vegetal

 a farinha lactea

 hera

 o deus da cerca

o zé carioca

 o new salomão

 a old salomé

 o peixe oanes

 a garota estranha do computador central

o homem que adorava patos

o diego

 o diego lango

 o garoto boy

o porco do capitalismo

o rabicó

o artista da fome

o mago patrono

o sucateiro tuk tuk

o golimar

o halimar

os bicharocos

o boto

o boto florestal

Baal

o cara que fala assobiando

o fabiano

a metralhadora da verdade

 e por ai vai

esse pessoal todo ja esta sabendo

e logo logo vc vai acabar descobrindo

O Monstro verde que mora no abismo e come pedra

•Outubro 5, 2008 • 2 Comentários

 

 “É sim, e daí?” pensava ele, sempre que alguém perguntava se aquele era mesmo o seu nome. Quando tinha que se apresentar a alguém sempre deixava a impressão de estar fazendo piada, impressão que só passava (não completamente) quando o novo conhecido via a sua identidade e descobria que aquele era o nome mesmo. Por esse motivo, tinha a fama de gozador, mesmo sem nunca ter feito uma única piada em toda a sua vida. Quando alguém contava uma piada, sempre pensavam que ele tinha sido o criador, e quando acontecia algo engraçado diziam: “Mais uma digna do monstro.”. Já tinha considerado muitas vezes mudar de nome, mas sempre que partia decidido para o cartório, lhe brotava um sentimento de que aquilo não estava certo, e que seus falecidos pais lhe censurariam do céu por não carregar com orgulho o nome que eles haviam escolhido pra ele. No mais, aquele era um nome bem incomum, que o tornava de certa forma especial. Muita gente o conhecia por causa do nome, o que não aconteceria se ele tivesse um nome comum. Então, o melhor a fazer era continuar vivendo, senão com orgulho, com resignação ao menos. Em todo caso, a vida às vezes trás boas surpresas para quem a consegue tolerar. Monstro Verde que Mora no Abismo e Come Pedra, se casou com Elefantíase da Silva, que adotou o sobrenome do esposo e passou a se chamar Elefantíase que Mora no Abismo e Come pedra da Silva. Ele descobriu que um mau nome não é um problema afinal. Juntos tiveram três filhos que se chamam Tucupi, Peba e Maria Macabra que Mora no Abismo e Come Pedra da Silva, sempre considerando que um nome ruim não é nada, quando se pode passá-lo adiante.

O homem que desafiou o garrote

•Outubro 5, 2008 • Deixe um Comentário

              

Já havia notado há algum tempo. Estava bem claro que ele estava sendo seguido. Era estranho pensar que alguém resolvesse seguir uma pessoa como ele, afinal não tinha nada de especial. Tinha um emprego comum, hábitos sóbrios, uma saúde razoável, e uma personalidade que, se não estimulava maiores simpatias, tão pouco inspirava furores.

Estava ele andando pelo seu bairro, fazendo um caminho que já tinha percorrido milhares de vezes, olhando pra paisagens que já havia decorado, e desviando o rosto de outros rostos, que nunca se cansavam de não o cumprimentar. Engraçado… ninguém nunca o tinha seguido antes, porque agora então? Seria algum antigo conhecido, que por alguma razão se lembrara dele? Difícil. Quase ninguém lhe guardava na memória por muito tempo, por alguma razão. Alguma admiradora então? Impossível! As mulheres em geral, gostavam ou de tipos muito ruins, ou de tipos muito bons, e ele não era uma coisa nem outra, e no mais, não tinha muito dinheiro. Quem diabos seria então? Não era de se envolver em nada muito obscuro. Pra ser bem franco, não era muito de se envolver com nada, donde só podia concluir que alguém resolvera se divertir ás suas custas. Essa idéia não o incomodava em nada, era até bem fácil de aceitar.

Continuou a caminhar durante horas, e quando começou a amanhecer, notou que os passos atrás de si se aproximavam cada vez mais, se aceleravam cada vez mais. Aquilo lhe excitava a imaginação de uma maneira bem esquisita. Estava se divertindo muito, e quando resolveu parar o seu perseguidor parou com ele, a poucos metros. Ficou imóvel por alguns minutos, e quando a tensão chegou ao seu máximo foi se virando bem devagar, curtindo o momento. Ficou realmente surpreso ao constatar que quem lhe perseguia era uma linda garota, com um sorriso no rosto, e um garrote nas mãos. Era bastante perspicaz e entendeu depressa o que estava acontecendo. O anjo da morte viera lhe buscar e ele não iria se opor. Na verdade ficava até feliz de por um termo a uma existência tão apagada, tão inócua. Sabia que não ia deixar nenhuma saudade. Era bem interessante ser enviado ao vazio por uma mulher com um garrote. Só isso ele estranhou um pouco. Aquele fio que até parecia nylon ao invés da foice clássica, aquela mulher linda com os belos seios à mostra ao invés daquela criatura esquelética e encapuzada. Apesar de achar estranho, achou essa imagem pra lá de favorável, em comparação com a que estava acostumado imaginar.

Decidiu então ir de braços abertos para a morte, sem chorar, sem soltar um único gemido. Tão convicto como o homem que devia ser. Tão sereno como um Samurai que comete Seppuku. Ia encarar o seu fim com verdadeira coragem.

Mas infelizmente, a coragem e a convicção não são coisas com as quais se possam contar sempre, e como ele não era Samurai, morreu chorando e gritando, como uma garotinha.

 

O que Satã rói, Deus corrói.

•Outubro 5, 2008 • Deixe um Comentário

               

 

Satanás acordou certa noite, após um estranho pesadelo, e percebeu alguns barulhos em seu sótão. Cutucou a sua esposa, uma, duas vezes, mas ela continuou a dormir, indiferente. “Seria ladrão?” ele pensou. “Mas no sótão?” “Um ladrão de velharias, talvez?” Cutucou a esposa de novo, e ela nem aí. “Ah sua ingrata, então é assim, né?” Levantou, pegou um velho bastão de beisebol (o tridente estava no conserto, o moleque quebrou) e foi ver qual era o causo. Puxou bem devagar a escadinha que levava pro sótão e foi subindo sem fazer nenhum barulho, exceto o dos seus dentes batendo de medo. Deu uma boa olhada em todo o sótão, mas estava escuro demais. Lentamente seus olhos foram se acostumando com a escuridão, e quando ele estava se preparando pra descer, notou um movimento furtivo a sua direita e olhou com mais atenção. Um rato enorme estava roendo os arquivos do cofre das almas. “Jesus Cristo!” O sótão estava cheio de ratos. Será que todos os sótãos infernais estavam infestados com aqueles bichos? Mas se era mesmo assim, porque diabos aqueles ratos tinham a barba branca tão longa? E o que dizer do ar bondoso, e daquela aréola triangular?  

O Homem que subestimou a porta

•Outubro 5, 2008 • Deixe um Comentário

 

“ I don´t believe the door”

Vanderson Bruno

 

Era um cara comum, ele. Mas aquele não era um dia comum. O solstício de verão finalmente terminara, e ele, depois de vários meses de reclusão naquele quarto, finalmente sairia para tomar parte nas festividades que sucediam o solstício.

Não sabia exatamente como se portar diante dos seus antigos conhecidos e amigos, agora que ocuparia o papel da constelação  “Cão Maior”, principal personagem do festival. A qualquer momento aquela porta, que ficara fechada por tanto tempo, se abriria e um cara fantasiado de coelho lhe viria dizer que já era chegada a hora da perseguição. Depois correria, com ele feliz no seu encalço, se fantasiando de “Cão Maior” à medida que a perseguição fosse progredindo. E quando finalmente o coelho se visse encurralado, ele lhe cravaria as presas, e o festival alcançaria o seu ápice. Sim! Aquele seria o seu grande momento. Enfim seria reconhecido por algo meritório. Lembrariam do seu nome por seus feitos, e não por ser um filho bastardo da lua.

Ficou durante muito tempo pensando em como seria maravilhoso ser visto como o orgulho de seu vilarejo, e não como a sua vergonha, até que percebeu que algo estava estranho. Àquela altura do dia a porta já devia ter sido aberta, e o homem coelho entrado por ela, gritando afrontas contra “Ursa Menor” para diminuir o próprio fôlego, e aumentar o ímpeto de “Cão Maior”, coisa importante no festival. Ele olhava para a porta, e era como se ela o olhasse de volta, mangando, ou se compadecendo dele, não sabia dizer. Só sabia que a expectativa era algo insuportável, e que tinha que fazer uso de toda a sua vontade para não abri-la ele mesmo. Um outro, um pouco menos convicto, já teria aberto a porta há muito tempo, mas ele iria esperar o tempo que fosse preciso, até que o homem coelho a abrisse, pois tinha empenhado muito de si mesmo nisso tudo, e esperava ser sobejamente compensado. O que ele era, o que já havia feito, o que seria daqui em diante, tudo isso não valeria um caracol, se ele não tivesse paciência e não esperasse cedendo à tentação ou ao tédio. Toda a sua vontade estava focada em esperar, e somente quando essa sua vontade foi se esmorecendo que ele pode notar que fora daquele quarto, os sons característicos do festival que podiam ser ouvidos claramente, a ribombar pela vila. Ao que tudo indicava, um “Cão Maior” que não era ele, já havia cravado suas presas em um homem coelho que jamais entraria por sua porta. Estava claro que ele nunca seria o “Cão maior” e que não morderia ninguém esse ano, não fantasiado pelo menos. Lembrou que ainda seria lembrado como o filho bastardo da lua, e sentiu um pedaço da sua alma morrer. Uma vez bastardo, sempre bastardo, certo? Poderia fingir pra sempre, pra todo o universo, que isso não tinha importância, mas ele saberia. A porta saberia. Se abalançou até ela, para deixar aquele quarto, aquela vila, de uma vez por todas, mas a porta estava trancada por fora, e ele jamais pode fugir de sua miséria.

O homem que adorava patos

•Outubro 5, 2008 • Deixe um Comentário

                    

 

Gostava muito de patos, não sabia bem por que. Tinha qualquer coisa no jeito de andar deles que o deixava de bom humor. Só pensava em como eram bichos adoráveis e como gostaria de ser como eles.

Se pudesse, cortaria de uma vez suas relações com os seus companheiros humanos, e viveria como um pato.  Mas não era tão corajoso para definir os rumos de sua própria vida, e continuava vivendo da maneira que podia, sabendo que apenas em sonhos poderia ser realmente feliz. Sempre se lembrava desse seu grande desejo quando voltava do seu trabalho, pois parava pra cumprimentar uma das poucas pessoas de quem realmente gostava. Uma velha criadora de marrecos que falava através de um buraco no pescoço, com um aparelho que a deixava com uma voz robótica que os marrecos pareciam adorar. Certo dia, ao passar diante da casa da velha, percebeu que ela estava acompanhada de uma jovem muito bonita que parecia estar pouco à vontade, ali no portão. A velha senhora lhe cumprimentou normalmente, sem, no entanto lhe apresentar a jovem, que ficou lhe seguindo com o olhar. Ele não se importou muito, pois só pensava em patos, mas não pode deixar de notar que era uma garota realmente bonita.

Os dias foram passando, e agora não mais a velha ficava no portão, e sim a sua neta (o que ele veio saber depois). Ele passava por ela que o cumprimentava, e depois ficava a lhe olhar, com o amor transparente nos olhos. “Porque ela olha tanto pra mim? Seria qualquer coisa no meu jeito de andar?” Não entendia direito apesar de gostar da sensação de ser olhado daquela maneira. Mas não se importava muito afinal, pois só pensava em patos.

O homem que descobriu o Iglu

•Setembro 14, 2008 • Deixe um Comentário

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 Sonhou que comia um monte de queijo. Não sabia de que tipo, ou melhor, não sabia o nome. O tipo era aquele cheio de furos, como os de desenho animado. Ficou comendo queijo, mastigando com vagar, enquanto as pessoas à sua volta lhe faziam perguntas, que ele respondia com a boca cheia de queijo.

 Acordou ofegante, ainda com gosto de queijo na boca e uma pergunta a lhe atormentar na mente: “seria granizo?”, não parava de pensar.  Era um sujeito um bocado supersticioso, mas infelizmente tinha doado os seus livros sobre sonhos (“Oniromância para Oligofrênicos” e “Ganhando dinheiro com os sonhos alheios”) para uma velha cigana cheia de perebas, que por causa da aparência já não conseguia atrair e devorar nenhuma criancinha e por isso precisava de um novo meio de ganhar a vida. Então já que ele não tinha mais os livros, o negócio era improvisar. Abriu a geladeira disposto a comer todo o queijo que encontrasse, para não dar nenhuma chance ao azar. Infelizmente só tinha queijo Minas em casa, mas ainda assim se pôs a comer com vigor. Mas quando se preparou para comer o ultimo pedaço de queijo, sentiu um puxão repentino, e pimba! Tinha acordado de novo, só que agora parecia pra valer. Levantou com calma, tentando entender sua situação, decidido a não se meter com queijo desta vez, o que foi uma decisão acertada, uma vez que não tinha nenhum queijo em casa. Ficou se perguntando o que iria acontecer, pois cada vez que tinha algum sonho estranho, algo ainda mais estranho acabava acontecendo. Não que ele pensasse que tivesse algum dom profético ou algo assim, achava apenas que coisas esquisitas aconteciam o tempo inteiro, e acostumado como estava, elas passavam meio despercebidas, até que tivesse um sonho estranho, ou algo parecido que o deixasse mais atento, para que se lhes desse a devida importância, como na vez em que sonhou ser um gordão bizarro, que falava com rimas e gostava de comer velas acessas. Nesse dia quando acordou, percebeu que seu cachorro lhe trazia um bicho morto na boca, que um exame mais atento revelou ser uma lontra. Ficou se perguntando como o cachorro, bobo como era, e que não conseguia pegar nem mesmo os biscoitos que lhe jogavam, conseguiu pegar uma lontra, que nos documentários sempre parecia um bicho tão esperto. “Provavelmente usou métodos sujos”, pensou. Mas de onde veio essa lontra? Até onde sabia, não tinha lontras naquela cidade, quiçá em todo o estado. Devia ter escapado de algum Zôo ou criador particular. Fosse como fosse, poderia pensar melhor a respeito depois de tomar um banho.

 Depois do banho, enquanto se secava, ouviu um ganido e imaginou que o cachorro estava encontrando dificuldades em lidar com a lontra morta. Mas ao ouvir outro ganido, mais alto e choroso, correu para averiguar, e ficou chocado com a cena a sua frente: Mais de trinta lontras cercavam o seu cachorro, que ainda estava com a sua vitima na boca, e girava para todos os lados, sem saber o que fazer. As lontras por sua vez sabiam exatamente o que queriam: vingança e sangue, olho por olho, e já começavam a tomar atitudes para conseguir.

Não havia nada mais a fazer pelo cachorro, que foi mutilado e morto. As lontras ainda tinham sede de sangue, e não contentes em acabar só com o cachorro, partiram para cima do dono, que com uma presença de espírito impressionante, começou a realizar uma dança indígena, com passos estranhos, mas fáceis de imitar. Tinha aprendido a dança com um índio Navarro covarde, que sempre ao ser encurralado por alguma tribo inimiga, dançava com destreza, fazendo todos rirem, e perderem a vontade de arrancar o seu escalpo, que não era lá essas coisas. As lontras ao verem aqueles movimentos, estacaram por um instante. E depois de uma certa hesitação, começaram a dançar com animação, dispostas a esquecer aquele infeliz acidente.

 Após algum tempo, as lontras resolveram se retirar, não sem antes restituir a vida, ao pobre cachorro, que só lamentou não ter podido dançar com todos. Casa silenciosa, apenas ele, o cão e a lontra morta. Como dançar dava fome, preparou a lontra de almoço. Tinha gosto de galinha.

 E hoje, o que aconteceria? Não teria como saber, então só podia esperar e torcer para seja lá o que acontecesse, que não fosse tão ruim. Ao que lhe pareceu, ao sair de casa para trabalhar, tirando um negócio branco que apareceu no seu quintal, nada estranho estava acontecendo com ele. Ao voltar pra casa, depois de um dia bem chato, já que nada de estranho acontecera, resolveu investigar a coisa branca que tinha visto de manhã.

 De longe, parecia uma caixa branco-acinzentada deixada no seu gramado, mas olhando de perto, era firme e compacta, bem fixada ao chão, e o mais incrível, era gelada. Tinha uma entrada pequena, difícil de reconhecer, com um mecanismo inexplicável fazendo às vezes de porta. Entrou e constatou que era bem quente e espaçoso lá dentro, com uns “banquinhos” esquisitos, mas bem confortável. Voltou para sua casa, satisfeito com a sua descoberta, e curioso para descobrir o que era. Começou a procurar uma resposta nos livros de escola, que fazia tempo não abria, até que numa antiga enciclopédia a descobriu. Aquela coisa no seu gramado era uma casa de esquimó, um Iglu. A pergunta agora era: O que uma casa de esquimó fazia no seu gramado? Seria algum novo plano de urbanização do governo, com matéria prima mais barata? Ou seria algum tipo de trote bem elaborado? De qualquer maneira, se estava no seu quintal, era de sua propriedade, e tinha gostado da idéia de ter um Iglu só para ele.

 O tempo foi passando e cada vez mais ele se acostumava com a idéia de morar só no Iglu. Aquilo era legal demais, ficar enrolado em pele de foca, sem ter de ver televisão, com o pingüim tomando conta do quintal. Se perguntava o tempo todo, como pode viver sem isso até aquele momento. Em pouco tempo, todos os seus conhecidos ficaram sabendo a respeito do Iglu. Tornou-se popular sem querer, e não passava uma noite sem que ele levasse uma garota diferente para conhecer sua coleção de peles de foca. Isso era legal, mas em pouco tempo começou a lhe cansar. Ele queria algo mais profundo, mais definitivo em matéria de Iglu. Começou a se sentir deslocado, no meio de seus amigos e amigas “não esquimós”. Quando olhou dentro de si já sabia o que fazer. Tinha umas economias, que usou para fazer o carreto do Iglu, para zona portuária da cidade. Vendeu a casa que a sua avó lhe havia dado de herança, para um velho pederasta que planejava a transformar em uma casa feita de doces, para atrair e “devorar” criancinhas. Usou o dinheiro para pagar o transporte do iglu e o seu para o Pólo Norte, e com o que sobrou comprou muito sebo de bode, excelente para lamparinas.

 Teve uma vida bem feliz por lá, onde para sobreviver, dava palestras a microempresários locais sobre as vantagens comerciais da fabricação e manutenção de fogueiras. Arranjou uma esposa que era considerada a mulher mais bonita do Pólo Norte (que ainda assim era muito feia), em suma, foi muito feliz, mas sempre que anoitecia, e ele acendia uma lamparina para espantar as morsas e pingüins selvagens, ele sentia uma falta terrível de sua antiga casa. Mas os ursos já estavam à sua porta, seus filhos já estavam crescidos, o sebo de bode estava acabando, e ele não tinha tempo pra pensar nisso agora.  

 

 

 
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